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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Nuvens - Encontro sublime de almas que amam amar.‏



Carregadas, nuvens coloridas cobriam nosso céu; gotas de amor, com aroma de flores e gosto de felicidade. Ventos me arrastavam para perto de você, quieto no canto da rua, sorrindo para a paz que eu trazia. Nosso longo abraço curava as dores do passado, que já passou. E as nuvens continuavam a dançar no céu azul daquela tarde de setembro. A hora pouco importa, os compromissos e afazeres menos ainda. Há tantas razões, mas você está aqui, e esta é a mais importante. Ainda sinto o cheiro dos hibíscos do jardim ao lado, preenchendo minha mente com as melhores lembranças. Como pode tanto amor? Buscar lembranças mesmo quando você está feliz em meus braços... Eu preciso de você, eu preciso.
Vejo-me refletir em seu Chilli Beans espelhado; e te peço: tira ele vai, quero me ver mais, além, em sua íris! Isso, e assim, sem proteção, te olho no fundo da alma, e em silêncio contemplo seu templo interior. Sinto sua alma feliz por este momento, num instante de um beijo.
E que esse silêncio seja cheio de sentimento. Às vezes a ausência de sons me faz pensar em plenitude, e o quanto somos felizes apenas com o olhar.
Ame-me hoje, este dia, mais este dia. E que amanhã seja um novo dia ao seu lado, onde novamente você poderá me amar. Diferente de como foi hoje, ontem, e buscando imaginar ser melhor do que será o outro amanhã, pensando que será a última vez. As belas nuvens de varias cores se foram. O vento agora é uma brisa suave e fresca, que vem cantando, baixinho, aquela nossa canção de amor, abrindo espaço para que o crepúsculo nos envolva. E então, ainda em silêncio, choro de alegria. Uma lágrima quente escorre pelo rosto ao encontro do seu peito. Foi mais belo do que pudesse imaginar. Fez mais sentido do que qualquer equação exata. E trouxe um alívio libertador. Encontro marcante de almas que amam amar.
A noite vem, junto às estrelas iluminando nosso encontro, como aquelas luzes de árvores de Natal... O céu está iluminado, um azul profundo cortado pela luz do luar, forte e branca. Nossos corpos formam uma única sombra no chão, é quando vejo uma pequena amarelinha desenhada com giz. Abraça-me forte, que é pra eu te lembrar. Que é pra eu nunca esquecer que felicidade é sinônimo de amor, e que ao seu lado isso é possível. Novamente o aroma dos hibíscos. Ame-me esta noite, mais esta noite, e sempre. Eu preciso de você agora! Deixa o mundo pra lá, que eu quero morrer neste abraço, e eternizar este laço de amor com você!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Toda Forma de Amor...


Apenas um beijo de despedida antes de sair para o trabalho. Todo dia o mesmo beijo, frio, sem sentimento, sem espera, sem retorno.
Ele a amava só que a distância. Ela; ela entendia que ele se dedicara ao amor, e por isso, o amava. Fora uma boa mulher, nunca tentara interpretar seu silêncio. O sol e as estrelas são os mesmos com o passar dos tempos, as pessoas mudam, transformam-se, e apaixonam-se, ou não. Ele era feliz, sempre na medida. Sempre no trabalho. Talvez ele tenha sofrido, mas esquecera. Decidiu esquecer. E assim caminhou por anos, entre a tênue linha que ligava o passado com o presente, já passado. E entre eles o silêncio, sempre o silêncio, sempre os minutos, as horas, os pensamentos. Deste silêncio enorme nasceu um terceiro elemento: a falta de sentimento. Deste terceiro elemento nasceu a tristeza. Da tristeza, a doença. Da doença, a morte. Da morte, a liberdade.
E agora? Viver ou morrer com ela? Com as lembranças? Com o passado?
Viver! E feito à escolha, partiu para ação. Viver é amar, e amar, amar de verdade, era o que ele esperava.
Então eles se encontraram, num dia frio e sem querer, acordaram para si. Ele queria que fosse mágico ou engraçado, mas foi apenas, real. De tão real foi romântico, de tão romântico foi verdadeiro. De tão verdadeiro... foi amor. Seu amado era 50 anos mais novo, e o via como um pai, e o amava como homem. Descobriram juntos sentimentos até então extintos, escondidos, não vividos. Um completava o outro, e vive versa. Mais que o próprio amor, a necessidade de amar os unia. E juntos, eram fortes. E juntos correram. Juntos se amaram, beberam, choraram. Juntos se curtiam, se divertiam, se alegravam. Juntos passearam, trocaram flores, beijos, carinhos. E juntos... juntos viveram!
O tempo foi cruel, não dando a eles, tempo. Sim, foram felizes neste período de libertação, e souberam aproveitar, mas queriam mais. Os amantes sempre querem mais. O amor é guloso, insaciável. Mas o tempo negou...
Sentia a vida chegando ao fim, escorrendo por entre os dedos fracos e enrugados. Mesmo assim, soube não desistir. Soube que toda forma de amor, é amor. E soube viver cada escolha ou renúncia, respeitando o tempo, o próximo, e principalmente a si mesmo. Viveu primeiramente pelos outros, pela mulher e pelo filho, mas quando decidiu viver para si, com seu novo amante, o fez com louvor. Dançou sem vergonha, aprendeu novas palavras, permitiu-se recomeçar, não cobrou juízo ou pudor, apenas viveu. Viveu feliz enquanto pode. Viver é uma arte, e ele foi um artista. Para viver não basta estar vivo, é necessário querer, é necessário coragem, e antes de tudo, é preciso amar!
 
Inspirado no filme: Toda Forma de Amor.