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terça-feira, 14 de março de 2017

Somos Deuses do Touch.

Crédito Imagem: makkahnewspaper

Estes dias recebi a seguinte mensagem pelo WhatsApp: "Quem souber de alguém que esteja desempregado, a Engmax Construtora vai contratar 150 profissionais para trabalhar na duplicação da Rodovia BR 406. Interessados enviar currículo para: ...". Nesta mensagem ainda constava o número de telefone para contato e o nome do responsável pela seleção, “Ricardo”. Não recebi apenas uma vez, recebi essa mesma mensagem em três grupos distintos.
Na hora pensei em uma grande amiga, que apesar da sua imensa capacidade e qualificação, é refém do Sistema (diga-se de passagem, injusto) Educacional e da má distribuição de aulas para professores, nas atribuições.
Logo, fui pesquisar a origem da mensagem, já que um "pequeno" detalhe me chamou atenção: o DDD do telefone para contato era "84", e moro em uma região onde o mesmo é "18". A BR-406 é uma Rodovia Federal de ligação brasileira, "localizada" no Rio Grande do Norte, que liga Natal a Macau. Em outra busca rápida, encontrei duas Construtoras "Engmax", uma com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais e outra no Rio de Janeiro/RJ. Claro que nem cheguei a enviar a "oportunidade" para minha amiga. Acredito até que para algumas pessoas isso seja benéfico, mas não é o caso.
Esta mensagem me levou ao seguinte questionamento: nós filtramos as mensagens que recebemos antes de repassarmos para outras pessoas?
Hoje, toda pessoa com acesso à internet (dados móveis ou Wi-Fi) tem voz no mundo. A globalização está aí, e tudo está ao nosso alcance através da internet, assim como quase tudo é liberado.
Compartilhamos, repostamos e enviamos mensagens o dia todo, notícias e reportagens, mas já paramos para analisar a veracidade destas?
Figuras públicas, artistas, esportistas e médicos. Empresários, colaboradores e até mesmo a D. Maria, faxineira de uma conhecida aqui do bairro, são apedrejadas virtualmente, vítimas de calúnias criadas na Rede, ou vídeos compartilhados por nós, todo dia, o dia todo.
Já que estamos falando em "compartilhar"; ainda luto diariamente para entender o porquê pessoas tem o prazer de compartilhar vídeos (e também filmá-los) contendo brigas, calúnias, traições, vítimas de acidente de trânsito ou tantas outras desgraças. Paro e penso: Porque tanta maldade? Será que eu ficaria contente em saber que, um vídeo trágico de minha família, está circulando por aí, perdido em um mundo de celulares, e servindo de riso para tantas pessoas que me conhecem ou não? Minha gente, é preciso exercer mais o dom da empatia!
Injustiças, brigas e crimes são compartilhados através de vídeos pelo WhatsApp. E nós achamos isso divertido. Engraçado. A tragédia tornou-se entretenimento da humanidade moderna, e não basta ver, temos que passar adiante, e ainda se há tempo, temos que dar nosso parecer, nossa opinião, nos tornamos “Doutores da Verdade” através de uma tela. Somos “Deuses do Touch”. E tudo o que eu postar ou disser, se torna verdade para mim e para minha rede de amigos. Assim segue, sucessivamente, e deixamos de lado toda e qualquer voz interior que questiona: "mas isso é verdade?". Tanto faz nos queremos falar, queremos que nos enxerguem, queremos ser o primeiro a dar a notícia, queremos ser notícia, nós queremos o palco, o estrelato, o Oscar das Mídias Sociais. Nós queremos, doa a quem doer, apertar o botão "Compartilhar".
A internet hoje é uma terra sem rei, e há - visivelmente - uma luta sangrenta para este "cargo".
Pare! Pense! E pesquise! O Google está aí para isso. Leia sobre o assunto do qual quer compartilhar e se mesmo assim for verdade, questione-se:
1)Meus amigos, das minhas Redes Sociais, precisam ler essa notícia/vídeo?
2)É de extrema importância compartilhar essa notícia/vídeo?
3)Essa notícia/vídeo propaga ódio e tristeza?
4)Se eu ou alguém que tenho apreço, estivesse nesta notícia/vídeo, eu compartilharia mesmo assim?
Quando tenho a oportunidade, barro alguns vídeos e não faço o download. Se há páginas e perfis que de hora em hora publicam coisas desagradáveis aos meus olhos, deixo de seguir ou bloqueio. E se algo me interessa, e eu também quero dar voz e ênfase e tal notícia, procuro saber o real motivo da mesma, a verdade, os lados, a importância que isso tem em minha vida e para demais pessoas, para só então, compartilhar. O mundo está transbordando de maldade, e o que eu puder evitar para aumentar isso, o farei.
Coitado do Ricardo (caso ele exista), da Engmax Construtora, que teve seu telefone divulgado para todo Brasil, não queria, de maneira alguma, estar na pele dele. Na atual crise do desemprego, imagino quantas mensagens e ligações deva ter recebido.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Estou apaixonada, e agora?


ESTOU APAIXONADA, e agora?

Da série: Amigas apaixonadas - Se conselho fosse bom...
Texto 1

Dias atrás recebi a ligação de uma amiga apaixonada. Quem me conhece sabe que eu sou aquele tipo de amigo “conselheiro”, onde as pessoas se sentem bem em conversar e pedir opiniões sobre relacionamento; ainda mais no caso dela, com um relacionamento que está apenas começando. Mas enfim, tudo na vida parte de um início.
Eu gosto desse tipo de assunto que tem um “fundo psicológico” e além de poder ajudá-la eu sempre levo várias coisas para minha vida e posso refletir sobre o meu relacionamento ou as nossas relações de amizade, de um modo geral. Resumindo, questões e conversas desse tipo são para mim, na mesma forma e medida, ensinamento e aprendizado. Mas, voltemos ao questionamento da minha amiga...
Ela “estava” sentindo-se apaixonada pelo cara que conheceu há um mês, ele mora em outra cidade e talvez à distância (sei que não é esse o motivo, isso acontece com todos) fez com que ela começasse a questionar-se em várias coisas, do tipo:
-Era sexta-feira à noite, onde ele estava?
-Por que a ausência de mensagens? (Ah maldito celular e seus infinitos aplicativos de comunicação, que eu chamaria de “Formador Ofensivo de Ansiedade”)
-Por que não a convidou para ir até a cidade dele? O que há para esconder?
-Por que não veio até seu encontro neste final de semana?
Como disse, questionamentos como esses acontecem também para casais que moram próximos, na mesma cidade, ou em cidades vizinhas. Quando se gosta, a vontade inicial é estar próximo, perto, junto, grudado... Mas acalme-se, não precisa necessariamente ser assim. A ausência (seja presencial ou virtual) no começo de um relacionamento é naturalmente compreensível, e ahhh, quem diria que um dia eu pudesse ter a maturidade de dizer isso.
Era sexta à noite, eles não combinaram um encontro, ainda era cedo para ela “exigir” um encontro; ele havia sumido há horas, o que fazer? Era o que ela pensava...
A) Ligar “como quem não quer nada” (pior mentira) e tentar descobrir onde ele estava ou o que houve?
B) Enviar mensagem na tentativa de investigar onde ele estava, o que fazia, e por que havia sumido?
C) Caso ele envie uma mensagem bem mais tarde, não visualizar no mesmo instante, e se visualizar, não responder.
D) Nenhuma das alternativas anteriores.
“D”! Por favor, sempre escolha a alternativa “D”!
Acalme-se, são naturais e aceitáveis essas questões no início do relacionamento, você não está ficando neutórica, mas também, é preciso perceber se isso não evolui para um sentimento de “obsessão”.
Vamos pensar friamente e usar o cérebro ao invés do coração, esta é a grande jogada da vida: tentar acertar em qual momento usar um ou outro.
Então, usando a razão, alguns questionamentos importantes a serem feitos neste momento:
A) Até que ponto ela pode “investigar” onde ele está? Até que ponto ela têm esse “direito”?
B) “Estamos apenas nos conhecendo”... Então, até onde ela pode exigir “estar” presente em todos os momentos (ou finais de semana) na vida do outro?
C) O que uma ausência de mensagens realmente significa, para quem ainda não está em um relacionamento sério?
Já faz algum tempo que cheguei à seguinte conclusão: há um “teste mútuo” realizado inconscientemente no início de todo relacionamento, e você só passará para a etapa seguinte (ligações, conhecer amigos e família, alianças, etc.) se conseguir nota máxima neste “teste”.
Funciona assim, simplesmente assim:
De um lado temos o “Indivíduo A”, que quer a todo custo, e de maneira muito rápida, “testar” se aquela pessoa “vale à pena”. Nosso inconsciente quer, sem rodeios ou tempo a perder, saber se é válido investir tempo e carinho, e também comprovar se o outro está disposto ou não a construir um relacionamento duradouro. Queremos também saber, e logo nos primeiros dias, se há indícios de que vamos sofrer e enfrentar mais uma desilusão. Então, o “Indivíduo A” é o ansioso, é aquele que manda mensagens e mais mensagens, sente falta de ligações e quer, todo tempo, falar ou estar junto. Essa ansiedade gera os questionamentos desnecessários pontuados acima, e mesmo que em tom de “brincadeira”, são na verdade cobranças: o “Indivíduo A” está cobrando presença, atenção, carinho e amor em um curto espaço de tempo, afinal, acabaram de se conhecer.
Do outro lado, temos o “Indivíduo B”, que por infinitos motivos, tem aversão a qualquer tipo de cobrança. Para ele, o relacionamento só vai começar a “existir” depois de um tempo, até lá, não há nada, não há compromisso, e assim sendo, não há necessidade para ele em enviar mensagens o tempo todo, fazer ligações, ver todo dia ou todo final de semana. A vida dele segue como antes. Isso não significa que ele não esteja a fim de você; significa apenas que ele ainda quer preservar sua individualidade, ainda quer sair com os amigos ou simplesmente dormir após um dia de trabalho, sem ter a “obrigação” de avisar alguém sobre isso. E ai está a parte dele em testar o outro indivíduo. Se a pessoa começar com cobranças, antes de assumirem um relacionamento, ele se vê em uma “enrascada”, seu inconsciente apita um sinal de alerta em que diz: “Vá com calma! Você está mesmo disposto a abrir mão da sua liberdade?”. Isso se converte em um entendimento simples: “Bom, se está assim com algumas semanas, imagina como estará depois de anos?”.
Só há um modo, um único jeito em tirar nota máxima neste teste, isso vale para Indivíduos A e B: paciência!
É preciso empatia nestes primeiros dias, é preciso entender que todo relacionamento precisa de um tempo, são duas pessoas diferentes, com caráter, cultura e educação diferentes, e assim, com maneiras diferentes de lidar com os problemas ou adversidades da vida. É preciso entender que algumas pessoas precisam de um tempo para elas, um momento em que podem fazer algo com amigos, ou simplesmente não fazer nada, sozinho.
Naquela sexta-feira à noite, a cabeça de minha amiga virara e virara em pensamentos férteis e fantasiosos, misturados a insegurança e com uma (grande) pitada de paixão. Eles não se falaram. Eles dormiram sem se falar. Ela não soube de seu destino. No sábado pela manhã, ele enviou uma mensagem dizendo que ficou em casa, estava cansado, e acabou dormindo após o banho relaxante de um dia cheio de trabalho e problemas.
Compre uma linda e grande fazenda, nela, crie unicórnios, casais de cisnes de todas as cores, uma dúzia de ornitorrincos voadores, alguns dinossauros herbívoros... Mas NÃO crie expectativas desnecessárias. Expectativas, em questões de segundos, transformam-se em fantasmas, e estes podem assombrar e destruir qualquer relacionamento, ou então, qualquer intenção de relacionamento.

Escritor e criador do Blog/Instagram “Meu Divã Cultural”.


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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os erros dos outros.





Sim, é realmente muito fácil apontar os erros dos outros. Temos uma facilidade, uma agilidade indescritível em reconhecer o que o outro fez que, além de não nos agradar, julgamos rapidamente como errado; sem avaliar que nosso conceito de certo ou errado é – 99% das vezes - diferente do outro, já que não tivemos a mesma criação, não recebemos a mesma educação, mesma cultura, e principalmente possuímos caráter e personalidades diferentes. Não fomos moldados tal cubos de gelo, todos iguais na grande maioria, não. Somos feitos das diferenças, e são elas que nos enriquecem e nos tornam únicos.
Principalmente no trabalho isso é fácil de reconhecer. Quantas vezes nos pegamos criticando ações e reações de colegas, dizendo nos café e intervalos – ou mesmo durante o trabalho – que “aquilo” poderia ser feito diferente. Que aquela reação foi demasiada desproporcional ao fato, que ele não tinha o direito, que ela não deveria ter falado, que o patrão não é um bom líder, et cetera.
O que me faz refletir sobre o assunto? Primeiro porque me coloco no meio do balaio, e assumo que muitas vezes sou eu o primeiro a apontar, criticar e julgar. Trabalho em um ambiente feminino, cercado de mulheres e comissões, ou seja, a fofoca é certa. Creio também que na maioria das vezes a crueldade não é o principal fator que nos move, somos mesmo engolidos pela ânsia de sermos melhores, pela competitividade, até nas pequenas coisas, pela inveja. Queremos, na grande maioria das vezes, chamarmos a atenção para a ilusão de que nós sim somos ideais, “perfeitos”, e iremos com certeza, se tivermos oportunidade, fazer “isso” melhor do que “aquilo” que o outro fez.
O segundo motivo, o inspirador, foram as fotos desta postagem que recolhi no Facebook. Eu concordo, o trânsito de Assis está complicado, em postagens anteriores já falei sobre os semáforos e as primeiras mudanças. Mas acredito que isto seja somente uma fase, e que em breve veremos melhorias. Mas o que me fez refletir foi o seguinte: o trabalhador que foi responsável pelas instalações das placas (das fotos) não tinha o direito de errar?
Todos nós temos o direito de liberdade de expressão, e não tiro – quem sou eu pra isso – o direito de quem tirou e postou a foto. Acredito ainda que a principal ação que moveu meu amigo a tirar essa foto – sim, foi meu amigo quem tirou uma das fotos, e falo porque o conheço – foi na intenção de fazer piada com as coisas que realmente parecem acontecer só em Assis. E assim é, que a legenda da foto original é “Coisas que só acontecem em Assis”.
O que me deixou incomodado foram alguns comentários maldosos, de pessoas que compartilharam as fotos, cheias de prepotência e falta de respeito.

 Vergonha alheia com esse bando de incompetentes...”
“É O FIM DO MUNDO”
“Assis não é ruim, a má administração é q acaba com ela!”
“BARBARIDADE!”
“Assis terra da competencia”
“Pode ter serteza assis continuara sem direção”
“Meu Deus!!! Inacreditavel!”
“É a blz de transito e a coordenação de direção é melhor ainda”
“TERRA DO NUNCA [...] Isso, na verdade, é pouco perto do que encontramos por lá.”
“Essa porra é perto da minha casa...”
“Engenheiro de trânsito daí deve ser uma assumidade em estragar o que tá certo”
“Lamentável”

Lamentável mesmo são os erros de ortografia. Ou serão apenas erros de digitação?
Qualquer mudança é caótica se não estivermos prontos e abertos para ela, e aí as coisas ficarão piores do que realmente parecem ser. Mudar é transformar, é alterar, é sair do comodismo e partir para a ação. As mudanças, mesmo que exteriores refletem em nosso interior, consciente ou inconscientemente. No caso de mudanças no trânsito precisamos realmente usar mais o cérebro, afinal, para chegarmos ao destino desejado, não iremos mais percorrer o mesmo caminho, isso gera – ou pelo menos deveria gerar – cautela, raciocínio e atenção. No caso da foto, sim, as placas podem gerar confusão, mas... O trabalhador “Sr. Colocador de Placas” não tem o direito de errar!?
Antes de encerrar gostaria de deixar aqui minhas desculpas ao meu amigo fotógrafo, não quero lhe causar nenhum desagrado, entendo perfeitamente seus motivos, e por lhe conhecer, sei que tudo não passou de uma brincadeira com o tão comentado “trânsito de Assis”, talvez se não fosse você, pudesse ser eu o autor da foto. Não critico a sua ação, critico os comentários maldosos de pessoas – acredito eu – perfeitas.
Para mim, “o fim do mundo” vai muito além de um Sr. instalar uma placa nova e esquecer de tirar a antiga, mesmo que esteja uma ao lado da outra.

Consideração final: Sim, mesmo não sendo fácil e agradável, eu aceito críticas, desde que elas não me ofendam.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Quem é você?

Não. Eu não tenho distúrbio de personalidade, pelo menos não tenho os sintomas. Também não vivo a sombra de pessoas ou ídolos, fingindo ser quem não sou. Minha personalidade não é nada fraca, pelo contrário. Sendo assim, sei bem quem sou; mas devo confessar que sempre tive reservas com as perguntas do tipo “quem é você”, seja para uma simples redação na época escolar ou para uma entrevista profissional.
Como descrever em poucas linhas quem eu sou? Impossível, eu sou tantas coisas, e isso também depende de como e onde eu me encontro.
Se estiver em uma igreja, por exemplo, eu sou silencioso, atencioso, temente e procuro repor minhas energias do “setor” espiritualidade. Já se estou em uma festa, sou pura descontração, gargalhada, sou também observador, simpático, e ando compulsivamente por todos os lados. Se estiver em uma super festa, “open bar” quem sabe, posso até ser alcoolista por algumas horas.
Se estiver sozinho penso, penso, penso e penso. Sou leitor, dor e amor. Sozinho sou o que talvez quisesse ser e tenho medo, sou música, poesia e alegria. Ou tristeza. Quando estou com amigos sou companheiro, sincero, brincalhão, conselheiro, e aproximo-me da quase profissão de psicólogo. Já se estou diante de pessoas desconhecidas, sou tímido e travo.
Se estiver feliz sou paz e amor, rock and roll, sou All Star nos pés, bermuda, e mochila nas costas. Triste eu sou lágrimas, dor que dilacera o peito e parece não ter fim. Quando sou triste ganho inimigos, e me volto contra o tempo, contra Deus, contra a sorte e meu destino.
Cantando no chuveiro eu sou a Christina Aguilera, dono do maior fôlego do mundo, afinado, com o tempo musical exato e além de tudo, com uma linda voz.
Se estiver assistindo um filme que gosto, “Amélie Poulain” por exemplo, sou filósofo, crítico, detalhista e amante da arte do cinema. Quando estou lendo eu sou turista em terra nova, viajante sonhador, sou criança descobrindo novas palavras, sou recanto, ilusão segura, sou barco a vela e vou para onde a ventania da poesia me levar.
Se estiver nervoso sou grosseiro, irônico, arrogante e chego ao ponto de me tornar insuportável. Com medo sou cauteloso, frágil, carente e desenvolvo dons de premonições (e isso só a minha irmã mais velha será capaz de entender).
Se o assunto é política ou futebol vou logo avisando, sou ignorante, burro, um completo idiota; deixo claro que detesto futebol, que não torço nem para o Brasil em Copa do Mundo e que voto por obrigação. Depois levanto da mesa e não volto àquela rodinha nas próximas horas.
Existe também a explicação óbvia de quem eu sou: filho dos meus pais, irmão das minhas irmãs e tio dos meus sobrinhos. Agora uma coisa que eu não sou mais é neto, e quando penso nisso sou a pessoa mais triste do mundo. Uma característica notável também descreve quem sou, e às vezes serve até como ponto de referência de pessoas deselegantes: sou gordo.
Se estiver na internet, sou caça talentos, procurando novas músicas, novos blogs, novos escritores. Na internet também sou mentiroso. Ah, na internet todos somos mentirosos, afinal, eu e você nunca fomos tão bonitos, intelectuais e humoristas como somos agora depois da criação do Facebook.
Agora, se eu estiver sonhando ninguém me segura... sou uma águia e vôo alto, livre. Corro como um tigre; ando sobre as águas; alimento-me de nuvens e posso até tocar o céu. Quando sonho sou a realização do inconsciente, misturado ao consciente e todas as mais loucas aventuras e desejos reprimidos. Posso ser um descobridor de tesouros perdidos, um mochileiro à la Che Guevara, um pirata, um grande compositor, um cantor, um ator dos filmes do Almodóvar, ou quem sabe até um diplomata. Ontem por exemplo eu era candidato a Deputado Federal, aliás, está ai uma coisa que tenho certeza e espero nunca ser!
Quanto ao sentir, sou intenso. Se for para chorar, que seja soluçando. Se for para rir, que sejam gargalhadas. Se for para dormir, que chegue a doer as costas. Se for para comer, que seja o pé da mesa. Se for para dançar, que seja até o chão. Se for para amar, que seja até a última conseqüência. Se for para esmagar, que seja com as próprias mãos, sendo assim, só tenha cuidado quando o assunto for ódio.
Ninguém é uma coisa só, somos um misto de bondade e maldade, escolhas e conseqüências, alimentos, palavras e sentimentos, números, sangue, ações e reações.
Sou aquilo que vejo quando fecho os olhos, e sigo descobrindo mais e mais quem realmente eu sou. Sou o que quero ser hoje e ponto. Amanhã... amanhã serei outro talvez.
Já você... Quem é você?


 Sou o que quero ser hoje e ponto. Amanhã... amanhã serei outro talvez.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Redução Necessária.


É engraçado como de uma simples frase, minha e de outros, surgem idéias muito loucas em minha mente, e então, passo horas pensando nessas bobeiras.
Esses dias postei no Facebook: “Queria muito fazer operação de redução... de preguiça! Tem como? ;D”. Uma amiga disse que queria mesmo era redução de estômago, outra disse que iria pesquisar sobre, e uma terceira disse que queria redução de pensamentos... Redução de pensamentos? Em seguida respondi o comentário: “Redução de pensamentos? NUNCA!”.
Como pode alguém querer não pensar? Como seria se pensasse metade do que penso? Eu adoro meus pensamentos, o que seria dos meus momentos sem eles? E das minhas bobas poesias? Bem, já dizia Caetano que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Traduzindo, cada um sabe o que pensa, e o quanto isso pesa ou dói. Acredito que essa amiga esteja pensando demais, e passando por momentos de tomadas de decisões, que são os que mais exigem esforços do nosso cérebro. Ai sim, perdoada, reduza mesmo o ritmo dos pensamentos, espero que você consiga. Eu nem tento isso, quanto mais tento, mais penso, quanto mais penso, mais tento pensar. Não é à toa que tenho dificuldade de concentração. Meditação é uma palavra que ainda não consegui colocar em prática.
Não, eu ainda prefiro a redução de preguiça, ou de estômago mesmo... Ah, também cairia bem um redução de carga horária, redução de contas a pagar, redução de saco cheio, redução da distância das pessoas que amo, e de uma em especial, redução do calor, redução do preço de livros e CDs, redução do mau humor matinal, redução da falta de paciência, redução da minha tolerância zero, da minha irritabilidade com repetições, redução da minha gula, da minha depressão de domingo, do meu tom às vezes mais que irônico, redução do meu vício em Facebook e Youtube, redução das minhas bugigangas na estante e principalmente a redução do vazio em certos momentos...
Para alguns eu desejaria a redução da inveja, da competitividade, da cara de pau, redução da fofoca, redução de idiotices no Facebook, redução das frases ofensivas, redução das brincadeiras sem graças, redução do tempo que gastam cuidando da vida alheia...
Para o mundo, a redução da fome, redução da falta de oportunidades, redução da falta de educação, saúde, moradia, redução de guerras, redução do capitalismo selvagem e cego, redução do poder dos “poderosos”, redução dos salários dos vereadores aos deputados ou governadores, senadores e o escambau, redução do egoísmo, redução da carência, redução das fobias às diversidades, redução da violência barata, violência doméstica, redução dos animais em extinção, redução da falta de bons costumes, também em extinção...
Pense, ou no caso da minha amiga, não pense. Mas reduza. O mundo está transbordando de coisas que você deveria jogar fora (e não por aí, mas sim no lixo!). Nós só damos ao próximo daquilo que o nosso coração está cheio!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A arte de saber falar a VERDADE...


Cresci ouvindo minha mãe dizer que “quem fala a verdade não merece castigo” ou então, “a mentira tem perna curta”. Lembro que certa vez, ainda criança, pensei em arrumar pernas de pau para essa tal de mentira baixinha, para ver se ela durava mais, afinal, sempre me ferrei na tentativa de esconder o que fosse dos meus pais. Vendo que não havia outro jeito, assumi a verdade como forma de “perdão antecipado” para os meus erros, já que se eu falasse a verdade, não merecia castigo, não é? E desde então, a verdade me acompanhou. Não vejo isso como negativo, pelo contrário, orgulho-me da educação que recebi dos meus pais. Ainda hoje acredito que a verdade é o melhor caminho a se tomar, porém, como tudo na vida, existem os dois lados...
Há alguns anos cheguei a me identificar muito com um quadro do Fantástico, chamado “Super Sincero”. Durante anos da minha vida encarei o papel daquele personagem (vivido por Luiz Fernando Guimarães) e falava a verdade doesse a quem doesse. Alguns amigos e amigas mais íntimos já sabiam: se não quer ouvir, não me pergunte. E se perguntavam, ah, quando eu via já tinha falado, e muitas vezes magoado.
A vida nos ensina a duras penas, e comigo claro, não foi diferente.
Aprendi com o tempo que a verdade nem sempre é a melhor resposta. Aprendi que, por mais amigos que sejamos, nem eu, nem você estamos prontos para ouvir nossas verdades pela boca do outro. Aprendi que existem certas verdades que nem um grande amigo conseguirá nos falar, e isso não se chama falsidade. Aprendi que quando mal dita a verdade pode se transformar em crueldade. Aprendi que já magoei infinitas vezes falando a verdade. Aprendi que assim como a mentira, a verdade também pode ser um veneno. Aprendi que nem mesmo o espelho de casa me diz a verdade todos os dias. Aprendi que não tenho o direito de destruir a falsa felicidade de ninguém contando-lhe a verdade. Aprendi que em meio a uma discussão, nenhuma verdade deve ser revelada, mesmo que para defesa. Aprendi, ou não, que saber falar a verdade é uma arte. Aprendi por fim que a verdade caminha junto com o discernimento, com a delicadeza nas palavras e com o amor.
Cada palavra tem sua cor, seu gosto, seu cheiro, sua forma. Cada palavra tem seu peso ou leveza, seu ódio ou amor. Assim como nós, humanos, nenhuma palavra é uma coisa só. Somos ambivalentes! Cada palavra tem seu sentimento, e depois de proferida, não há mais volta. Nós sabemos: a verdade dói. E se a nossa dói, porque a do próximo não há de doer?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Parafraseando Luís Vaz de Camões...


E se meu “primo-avô” nascesse no século XXI,
sua poesia seria diferente...


A depressão é fogo que arde e se vê,
É ferida que dói e muito se sente,
É um descontentamento às vezes contente,
É dor que desatina de tanto doer...


Pensamentos da Madrugada 4...


Só os sonhos nos socorrem na hora da dor,
a vida sem eles seria apenas uma sucessão de surpresas sem reação.
Assim como viver sem lágrimas ao cair do rosto,
ou sorrisos distribuídos ao logo do caminho, para aqueles que amamos...

  
Especialmente à querida Iara;
Que sua vida seja repleta de sonhos realizados.
E que este momento seja apenas uma pequena confirmação
de todas as maravilhas que hão de vir.
Paz e tudo mais!
=)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Fernanda Mello x Fernando Vaz.


E essa foto significa tanto e muito para mim: amigos, descobertas, gargalhadas, desafios, sabores, gratidão, fogo, rock'n'roll, cores, assombros, incertezas, paixões, anjos e demônios pesando em minhas costas. Estar mais perto do céu, naquele momento, era trazer O MEU céu pra perto de mim. E só hoje consigo unir imagem, sentimentos e palavras; graças a Fernanda Mello... ela que faz o meu criado mudo ser mais que um móvel. Hoje ele fala, sorri e chora!

domingo, 27 de novembro de 2011

Mãos à obra que lá vem mais uma Segunda!

Nasce e renasce quantas vezes julgar preciso. Invade a alma, canta, dança pinta e borda, come a borda. Seja o que quiser, seja o que é. Admire o velho, o diferente, o inteligente. Ignore o tolo, o mal, e inconveniente. Limpe a casa, ou pague pra isso. Sorria, chore, mas tente descobrir o porquê de cada uma dessas escolhas; mas se não conseguir, não importa, continue sorrindo ou chorando. Acredite, amigos são mais valorosos que tesouros. Para cada momento, alegre ou triste, escolha uma linda trilha sonora. Veja no trivial algo novo, crie, transforme-o. Ligue para alguém que está distante e escute-o. Coma chocolate, ou o pudim da Vovó. Leia, releia, e leia novamente o livro que marcou sua vida. Estoura pipoca e devore-a do seu jeito, e se fizer brigadeiro, raspe a panela! Brinque na areia com seus filhos. Pule ondas. Divirta-se com seu soluço que parece não passar nunca. Assista a um filme doce ou a uma comédia hilária. Se tiver vontade, durma, profundamente, por horas e horas, como se no mundo não existissem problemas, só você e seu sono. E pra quem você ama, diga sempre! Deixe isso bem claro: Eu te amo! Você pode amanhã não ter mais o tempo que perdeu hoje!

Para espantar a preguiça e levantar o astral: U2 – “Beautiful Day”.

Para ler, pensar ou sonhar: Virginia Woolf – “Mrs. Dalloway”.

Para ver, chorar ou sorrir:O Noivo da Minha Melhor Amiga” (2011).


Boa semana a todos! =)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amor de praia...

Quero hoje que o sol se ponha em tom laranja rosado, e que eu esteja lá, sentado, com meus pés salgados de água na areia fina, esperando que o mar traga-me o que há de melhor, e que dele, você surja, de branco, num lindo barco de flores. Eu posso até dispensar dos meus delírios todo o traje e também o cavalo, mas não a nobreza de atitudes. Quero enxergar em você um pedaço do que falta em mim. E sim, eu quero ouvir os sininhos tocando como num filme da ‘Sessão da Tarde’. Sonhar com a vida bela durante todo crepúsculo, simplesmente sonhar, deixar de viver e sonhar. Achar nas nuvens um dragão ou peixe, um urso polar ou um avião. Esperar que do céu caiam gotas de felicidade, esperança, paz e amor sobre mim, em meu rosto, e só sosseguem quando encontrarem meu coração. Quero matar minha sede com água de coco gelada e um canudo psicodélico cheio de cores e formas. Pensar que nesse momento o mundo parou, e que existe apenas eu e você, esse mar calmo, a areia fina, o céu e o amor. Quero espreguiçar meu corpo numa rede amarrada em palmeiras enormes, e deixar, tranqüilo, um pequeno pássaro pousar em meus pés. Quero ver o céu se formando em estrelas dançantes, lindas estrelas; quero capturá-las uma a uma, guardar numa linda caixa de madeira com uma fita vermelha e dourada, e lhe entregar como presente em noites de tormenta. Quero mesmo é me afogar num mar de rosas e rum, me embriagar de você e mesmo assim ficar sóbrio, de cara pra lua, a noite toda ao seu lado!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Google poeta...

E quem disse que o “Mestre dos Magos” da internet também não tem seu lado sensível. Sim, o Google também é poeta, tímido, mas é. Só basta uma iniciativa sua...

Ps.: Eu “raxei” com a opção “porque eu me casei” ... lololololo...

domingo, 13 de novembro de 2011

Apenas eu e você...


Diferenças que nada. Para o amor acontecer, basta apenas existir. Basta apenas um sim. Basta apenas eu e você. O céu e o mar. A lua e as estrelas... Não, eu não quero UM amor, eu quero O amor!

Pensamentos da Madrugada 3...

A vida é cheia de altos e baixos, uma vez dentro dessa montanha russa, só nos resta duas opções:
fechar os olhos e seguir ou soltar os braços e gritar bem alto!
Escolha!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Máquina do Tempo...


Ah se eu pudesse voltar no tempo...
Já tenho data e hora programada! Nesta sexta feira, cheia de ditos populares e superstição (11/11/11) é que eu não ficaria mesmo!
Eu que por anos declarava: “Não sou saudosista!”... Pensei que nunca fosse sentir saudades do tempo de escola, dos desenhos animados, das brincadeiras de rua, até mesmo do chinelo da minha mãe voando em minha direção, quando corria de uma palmada...rs. Ou então do assovio do meu pai, que dizia tudo! Quando era menor queria logo ter 30 anos... Hoje, quero que eles nunca cheguem! Ahh... saudade da inocência em não saber que crescer dói e que sim, é inevitável.
E você, já sabe onde iria estacionar sua máquina do tempo?

Pensamentos da Madrugada 2...


Às vezes sinto que dentro de mim habitam algumas músicas, conforme meu estado de espírito, um play automático libera a trilha sonora ideal para cada momento. Ou será o contrário?
#nowplaying … The Verve – Bitter Sweet Symphony

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pensamentos da madrugada...

     
      E talvez exista um monte de “você” lá fora, e um monte de “eu” aqui dentro. Às vezes gosto de pensar que em algum lugar lá fora, eu estou me divertindo muito mais. E entre o sim e o não, o ser, não ser ou o estar, prefiro acreditar que mais vale um Fernando voando do que mil Fernando’s com os pés no chão!