Um grande amigo certa vez me disse: “...admiro essa sua arte de ser livre!”
Nunca tinha parado pra pensar, mas sim, o gosto da liberdade é alimento para minha alma. Quando digo livre, não quero dizer dessa liberdade louca de aventuras radicais ou baladas de noites que parecem não ter fim. Quando digo livre, digo livre, liberto, desprendido, desapegado. Digo que sim, eu vou sumir às vezes da sua vida quando sentir que eu ou você precisamos de ar. Digo que não terei medo de pedir minha demissão, coisa que sempre faço quando não me sinto mais livre. Digo que posso passar dias sozinhos, mas não sou uma ilha, afinal, ilha nenhuma é livre. Digo que liberdade e libertinagem são conceitos muito diferentes, que graças a Deus já aprendi a distinguir. Quando eu digo livre, digo “não me prenda”, “não me suplique”, “não coloque palavras na minha boca”, “não me encha o saco!”.
Mas sim, há também liberdade conjugada, e isso eu sei bem, afinal, quer sensação mais gostosa que ser livre com seus amigos e falar coisas que só eles vão entender? Viver momentos, risadas, bebedeiras que só ao lado deles somos capazes de sermos assim, livres? Tão livres a ponto de imitar um ornitorrinco! Ou então a agradável sensação de poder ser livre dentro de casa, na nossa família, e vivermos essa liberdade em harmonia, respeitando o espaço do próximo. Sim, é possível ser livre a 2, 3, 4 ou mais, basta saber amar.
Não sei como é a tua vida, mas a minha é feita de círculos, ora longos e vagarosos, ora pequenos e velozes. Eu não tenho medo de por um ponto final, isso sempre acontece comigo, apesar mesmo de amar as reticências... Mas sim, às vezes tenho medo de recomeçar, de encarar o novo, e pensar que talvez este novo me tire essa arte de ser livre. A minha vida segue o rumo ditado pelo meu coração, e não quero que seja ao contrário. Não quero que o mundo me sufoque a tal ponto de decidir minha vida por mim, com rótulos, conceitos e preconceitos. Quero mesmo o gosto doce e amargo de ser livre. E me prender? Jamais! Nem mesmo em mim mesmo.